segunda-feira, 4 de dezembro de 2017





Decisão


Não... eu não te amo mais...
Eu hoje resolvi dar um basta nesta situação...
Foram muitas, as noites de insônia...
Foram muitos, os dias de desencanto...
Não quero mais ouvir o canto triste dos cisnes...
E não mais deixarei que as ondas do encapelado
Mar do amor, me invada...

Suas feições foram para sempre apagadas
De meu pobre inconsciente...
Um amor pode muito bem ser apagado...
Por isso nada ficou...
Por isso nada sobrou...
Por isso nada vingou...


(Só espero que meu coração, também

não se oponha, e se deixe enganar...

Assim como eu...)



quarta-feira, 22 de novembro de 2017



Ao Pé da Acácia




À tarde... Olho para o infinito...
As luzes restantes estão a apagar,
lentamente...
E nele, ávido de um amor quase loucura,
busco, debalde, encontrar você...
A brisa fria, que do oeste vem,
somada a este outono, gelado,
lembra-me... que você partiu.
Foi um dia amargo...
Eu, ereto, firme, junto àquela porta,
deixei você partir...
Não esbocei nada,
não tive argumentos...
Mas... você também, não os queria...
As luzes de um porvir risonho...
haviam te enfeitiçado...
Você se julgou uma deusa, e eu... simples vassalo.

De lá para cá vivo a cismar sozinho,
esperando em Deus, que um dia,
ainda que tardiamente...
você retorne para mim.
Lá se vão os dias de minha juventude,
que feliz, vivi junto de você...foi um tempo de amor...
foi um tempo de prazer infindo...
Lembro-me também do dia,
Em que debaixo daquela acácia, ali,
juramos amor eterno.
Não foi de tudo, em vão...
Pelo menos eu fui sincero...

E ainda hoje,
mesmo trazendo as marcas do tempo,
neste rosto marcado pela dor,
ainda te espero, querida...
Não serei eu, a desmentir o poeta:
“Um grande amor vale uma vida...”
Hoje, o sol brilhou o dia inteiro...
e sua luz dourada, realçou a acácia florida...
fiquei por longo tempo debaixo dela...
pensando em você...
basta-me amar você...
basta-me pensar em você...

A noite caiu finalmente...
gosto da noite...
Aprendi a gostar da noite.  



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017




Amor impossível..
 

 
Ao paraíso me transportastes
ao declarar seu amor por mim...
 
Mas, por que  o fizestes?

Não tinhas tu a noção do impossível,
ante a teus olhos?

Não tinhas tu a noção da distância
que nos separa?

Não falo da distância de territórios, não...

Eu falo da distância real entre duas almas
que a vida, em seus descuidos ocasionais,
deixou-as construir ninhos em separados...
e... e povoa-los...

 
Não... certamente, não tinhas...

Se tivésseis, saberias  o tamanho
do meu conflito...

o tamanho do meu sentir...

o tamanho do meu sofrer...

 
Em minha crença, defendo a ideia
de uma única vida...
a que foi... a que temos...

Mas, nessa hora de desespero incontido,..

de coração sofrido...

de lágrima doridas...

Tento me apegar-me então, às crenças
de outros irmãos...

A que prega a reencarnação...
 
Aí então tudo aceito...

Aí então tudo se ajeita...



 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017


Viajante do espaço


Como almas novas as estrelas
vagam no céu sereno...

Ainda são anjos e tem como néctar
apenas o amor ...

São vidas que se aprontam para a vida...

É o amor, que o Pai personificando-o,
manda para mimar a terra...

E elas chegam sempre num torpor sem igual,
provocando os mais sutis sentimentos
de alegrias incontidas...

Um dia, quem sabe?... estarei novamente viajando
em uma nova estrela...

Só que dessa vez, procurarei explorar o espaço...

E se puder, procurarei viajar em companhia
da sua estrela, meu bem...

E só me deixarei cair, onde cair a sua...





domingo, 18 de dezembro de 2016

Vista Parcial de Cons. Lafaiete-MG

Meus Oito Anos / Tempo bom...

                     Casimiro de Abreu / João de Assis

                     

“Ai que saudades que tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais...”
Era um tempo de glória... um tempo de inesquecíveis momentos de felicidade... ainda não tinham inventado o estres... eu andava nas ruas “da camisa aberto o peito, pés descalços braços nus...” não havia asfalto... só calçadas com paralelepípedos... e passando de casa em casa, ouvia os rádios de cada uma... se fosse no período da tarde, no horário das duas às quatro horas, só ouvia novelas... eram os Teatros Gessy-lever e Teatro Palmolive, ambos da Rádio Nacional do Rio de Janeiro... elas eram a grande febre das mocinhas e das “donas de casa”... em outro horário, campeava as vozes saudosas de Anisio Silva com “Quero beijar-te as mãos” e Nelson Gonçalves com “Boemia”,  entre outros sucessos da época... graças ao bom  Deus, ainda não havia televisão... havia mais solidariedade... havia mais amor... havia  menos pobreza... era muito comum criar no fundo dos quintais, um porco ou umas galinhas... e quando matava um porco lá em casa, a vizinhança toda comia carne naqueles dias... poucas pessoas possuíam geladeira... quem tinha era considerado rico... e minha mãe, como todas a suas vizinhas, guardavam a carne oriundas da matança do porco cozidas e imersas na gordura... e durava até meses...
Os católicos, e quase todo mundo era católico... na hora do almoço sintonizavam o rádio, na Rádio Aparecida para ouvir aquela voz rouca do Padre Victor... “Meio dia... os ponteiros apontam para o infinito...” tendo ao fundo o som harmonioso de um órgão, tocando o hino “Viva a Mãe de Deus e nossa”
“Que doce a vida não era naquela risonha manhã...” minha irmã, neste tempo era noiva e fazia “filet”... “filet” era uma espécie de bordado feito em um quadro de madeira, que ela colocando-o no colo, ficava horas a fio entrelaçando aquela linha grossa...

Não havia supermercados, só armazéns... bacalhau era comida de pobre... e ficavam expostos em caixotes, nas portas das “vendas” (este era também o segundo nome como eram chamados os armazéns).
Á noite nas igrejas tinham as novenas... e tanto elas, como as Missas, eram rezadas em latim... “Dommino Vobiscum”, dizia o padre... “et cum spritun tuo”, respondia o coroinha... e eu fui coroinha... os padres naquele tempo acompanhavam os enterros... e eu tinha que acompanhar com ele... muito cedo eu conheci cemitérios...

Fazia mandados para a vizinhança... isto era muito comum... todos os garotos faziam... 
À tarde, no fim do dia “Que amor, que sonhos, que flores, naquelas tardes fagueiras..”, reuníamos para jogar bola em algum terreno baldio...  quem chegava atrasado ficava sem jogar... e isto era “a morte” para quem ficava de fora... mas nem por isso chegávamos a brigar...
À noite nos reuníamos na praça e ficávamos contando casos... os  mais “vivos” contavam “vantagens”, e isto aumentava em muito seus prestígios entre nós...  às dez horas(vinte e duas horas) no máximo, entrávamos em casa para dormir e “... achava o céu sempre lindo, adormecia sorrindo e despertava a cantar”.
Hoje vejo com tristeza o quanto o mundo mudou as pessoas... foi criado uma nova linguagem para o amor... uma nova linguagem para a solidariedade... um novo modo de se conviver... e para resumir esta mudança eu digo apenas isso: hoje já não se criam porcos no fundo dos quintais como se criava   antigamente... mas  quando deparamos com alguma exceção, este criador ao matar seu porco, vai até o vizinho de frente e pergunta se ele deseja comprar o “lombo”...




quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Fuga Para Dentro Meu Ser...




 Meu Desafio


 
 
 
Eu busco encontrar no voo magistral da Águia; no cismar sozinho à noite; na contemplação insólita, do infinto azul do éter, a magia do encantamento que perdi, ao perder você...

 
 
Eu busco a razão da propria insanidade; a ciência das vidas passadas; o entendimento profundo do
sentido amplo das almas gêmeas, para entender e explicar a atração que senti e sinto por você...


 
Tudo pode parecer efêmero e sem sentido...
Mas uma duvida fica em meio a uma esperança,
a de que talvez, em algum lugar do passado ou do futuro, certamente nós nos encontramos ou ainda vamos nos encontrar... 
e o meu  sonho então terá plasmado ou se plasmará...


 

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Estéreo...

Em Fuga Para Dentro Meu Ser...




Estéreo


Hoje eu não vou fazer versos...
Não... não vejo razão alguma, para fazê-los...
Meu coração se assoreou...
E minha verve exigiu um final semana livre...
Que pode um poeta fazer
quando isso acontece?



Fico a olhar o mar e contemplar o brilho
da lua, refletido em seu dorso...
A solidão, que nunca pede licença,
entra e se aloja dentro de mim...
- Não há palavras para você.
Diz ela para minha consciencia...



Hoje decretei ponto facultativo,
e até a razão foi para a praia...
por isso, nesse final de semana, não vou sofrer...
Eu cansei de chorar desventuras,
e amar o amor que nunca me amou...
Hoje eu serei eu... hoje serei autêntico...
Assumirei em definitivo o que na verdade sempre fui:
Um raro espécime, igual aos sobreviventes 
de Hiroshima e Nagasaki...