domingo, 18 de dezembro de 2016

Vista Parcial de Cons. Lafaiete-MG

Meus Oito Anos / Tempo bom...

                     Casimiro de Abreu / João de Assis

                     

“Ai que saudades que tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais...”
Era um tempo de glória... um tempo de inesquecíveis momentos de felicidade... ainda não tinham inventado o estres... eu andava nas ruas “da camisa aberto o peito, pés descalços braços nus...” não havia asfalto... só calçadas com paralelepípedos... e passando de casa em casa, ouvia os rádios de cada uma... se fosse no período da tarde, no horário das duas às quatro horas, só ouvia novelas... eram os Teatros Gessy-lever e Teatro Palmolive, ambos da Rádio Nacional do Rio de Janeiro... elas eram a grande febre das mocinhas e das “donas de casa”... em outro horário, campeava as vozes saudosas de Anisio Silva com “Quero beijar-te as mãos” e Nelson Gonçalves com “Boemia”,  entre outros sucessos da época... graças ao bom  Deus, ainda não havia televisão... havia mais solidariedade... havia mais amor... havia  menos pobreza... era muito comum criar no fundo dos quintais, um porco ou umas galinhas... e quando matava um porco lá em casa, a vizinhança toda comia carne naqueles dias... poucas pessoas possuíam geladeira... quem tinha era considerado rico... e minha mãe, como todas a suas vizinhas, guardavam a carne oriundas da matança do porco cozidas e imersas na gordura... e durava até meses...
Os católicos, e quase todo mundo era católico... na hora do almoço sintonizavam o rádio, na Rádio Aparecida para ouvir aquela voz rouca do Padre Victor... “Meio dia... os ponteiros apontam para o infinito...” tendo ao fundo o som harmonioso de um órgão, tocando o hino “Viva a Mãe de Deus e nossa”
“Que doce a vida não era naquela risonha manhã...” minha irmã, neste tempo era noiva e fazia “filet”... “filet” era uma espécie de bordado feito em um quadro de madeira, que ela colocando-o no colo, ficava horas a fio entrelaçando aquela linha grossa...

Não havia supermercados, só armazéns... bacalhau era comida de pobre... e ficavam expostos em caixotes, nas portas das “vendas” (este era também o segundo nome como eram chamados os armazéns).
Á noite nas igrejas tinham as novenas... e tanto elas, como as Missas, eram rezadas em latim... “Dommino Vobiscum”, dizia o padre... “et cum spritun tuo”, respondia o coroinha... e eu fui coroinha... os padres naquele tempo acompanhavam os enterros... e eu tinha que acompanhar com ele... muito cedo eu conheci cemitérios...

Fazia mandados para a vizinhança... isto era muito comum... todos os garotos faziam... 
À tarde, no fim do dia “Que amor, que sonhos, que flores, naquelas tardes fagueiras..”, reuníamos para jogar bola em algum terreno baldio...  quem chegava atrasado ficava sem jogar... e isto era “a morte” para quem ficava de fora... mas nem por isso chegávamos a brigar...
À noite nos reuníamos na praça e ficávamos contando casos... os  mais “vivos” contavam “vantagens”, e isto aumentava em muito seus prestígios entre nós...  às dez horas(vinte e duas horas) no máximo, entrávamos em casa para dormir e “... achava o céu sempre lindo, adormecia sorrindo e despertava a cantar”.
Hoje vejo com tristeza o quanto o mundo mudou as pessoas... foi criado uma nova linguagem para o amor... uma nova linguagem para a solidariedade... um novo modo de se conviver... e para resumir esta mudança eu digo apenas isso: hoje já não se criam porcos no fundo dos quintais como se criava   antigamente... mas  quando deparamos com alguma exceção, este criador ao matar seu porco, vai até o vizinho de frente e pergunta se ele deseja comprar o “lombo”...




quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Fuga Para Dentro Meu Ser...




 Meu Desafio


 
 
 
Eu busco encontrar no voo magistral da Águia; no cismar sozinho à noite; na contemplação insólita, do infinto azul do éter, a magia do encantamento que perdi, ao perder você...

 
 
Eu busco a razão da propria insanidade; a ciência das vidas passadas; o entendimento profundo do
sentido amplo das almas gêmeas, para entender e explicar a atração que senti e sinto por você...


 
Tudo pode parecer efêmero e sem sentido...
Mas uma duvida fica em meio a uma esperança,
a de que talvez, em algum lugar do passado ou do futuro, certamente nós nos encontramos ou ainda vamos nos encontrar... 
e o meu  sonho então terá plasmado ou se plasmará...


 

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Estéreo...

Em Fuga Para Dentro Meu Ser...




Estéreo


Hoje eu não vou fazer versos...
Não... não vejo razão alguma, para fazê-los...
Meu coração se assoreou...
E minha verve exigiu um final semana livre...
Que pode um poeta fazer
quando isso acontece?



Fico a olhar o mar e contemplar o brilho
da lua, refletido em seu dorso...
A solidão, que nunca pede licença,
entra e se aloja dentro de mim...
- Não há palavras para você.
Diz ela para minha consciencia...



Hoje decretei ponto facultativo,
e até a razão foi para a praia...
por isso, nesse final de semana, não vou sofrer...
Eu cansei de chorar desventuras,
e amar o amor que nunca me amou...
Hoje eu serei eu... hoje serei autêntico...
Assumirei em definitivo o que na verdade sempre fui:
Um raro espécime, igual aos sobreviventes 
de Hiroshima e Nagasaki...




                     





sábado, 17 de setembro de 2016

Carências...

Em Fuga para Dentro do Meu Ser...



Carências...
 
 
 
Olhando estas águas mansas e tranquilas
deste mar ameno...
Ouvindo a melodia suave que elas fazem,
quando envolve e arrasta a areia fina...
Sinto meu peito ser invadido pela magia e encanto
deste cenário de beleza rara...


E ele, ao se instalar no mais íntimo do meu recôndito,
 desentoca os sentimentos doridos
que por algum motivo, um dia, não deram certo...
Não funcionaram como deviam...


Vejo e suspiro a falta do seu amor...
O amor que poderia tornar meus dias inusitados...
E ao sentir a areia ser arrancada debaixo
dos meus pés, transpassa-me o cruel sentimento
de ver a vida e a esperança se esvaírem...

 Sinto-me só e abandonado...
Sinto falta da tua presença...Sinto falta do teu cuidado...
Sinto falta de ti,meu anjo alado...
Sinto... falta...



segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Aridez...

Em fuga Para Dentro Meu Ser...




 Aridez?....

 

 

Poucos, na vida tiveram o amor que sonhou...

Se este for seu caso, amigo, sinta-se feliz...

Goze, corra, grite ao mundo porque sua

felicidade é real e invejada...

Porque na vida muitos, como eu, choram o amor perdido, o amor que não tiveram e que talvez, nem sequer tenha existido,

senão em uma forma virtual, platônica, irreal...

 

Muitos, como eu, não tiveram o prazer de

de amar e ser amado...

Outros, pior, desta vida se foram

sem ao menos conhecer esta forma

plena de viver...

 

O amor, meu amigo, não se planta,

não se compra e não se colhe...

Ele nasce no infinito do nosso intimo, e contrariando as leis físicas,

quanto mais tentamos erradica-lo, mais

se entranha e se enraíza...

 

O amor nos alimenta, nos fortalece, nos envolve, nos motiva...


Pena que não posso sentir nenhuma dessas

sensações...

Minha juventude foi castrada,

e o amor que minh'lma experimentou...

Que pena... experimentou sozinha...




terça-feira, 23 de agosto de 2016

Em Fuga Para Dentro do Meu Ser...








Minha escura ribalta...




Meu olhar sem esperança se dissolve 
ao longo da estrada, que sinuosa,
serpenteia pela encosta verde
das terras do Minho...



Estrada esta que teve serventia dupla:
para nos unir, quando um dia resolvi te procurar... 
e para nos separar, 
quando tomastes a decisão de partir... 
triste decisão!




Você partiu numa tarde cinza, sem sol e de
nuvens pesadas, que prenunciavam 
duas tempestades:
a climática, que viria para fecundar as 
terras de nossa aldeia, 
e a nociva, aquela que só serviria para fenecer 
aos poucos, meu coração!


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Amor, Semente Mágica



Em Fuga para Dentro do Meu Ser...








Amor, semente mágica...

 
 
Nosso amor nasceu em tempo de dor...
Tempo de prisão... Tempo de cárcere dorido...
Foi quando a paz deixou de existir naquele
pedaço de chão, que o dominador, quis abraçar ...

 
O tempo foi para nós ingrato e ao mesmo tempo
solícito... Pois o acaso nos apresentou um ao outro...
Em pleno comboio de degredados, nos conhecemos.
O amor nasce até em condições sub-humanas...

 
Os trancos do comboio nos aproximou...
e... por umas horas pude sentir o calor de seu corpo.
No auge deste amor infortuito, pedia ao Senhor
dos senhores para que a viagem nunca terminasse...

 
Em Treblinca nos separam de vez... e o sonho acabou.
Um adeus passou a fazer parte de nossas vidas...
Sua silhueta de maltrapilha ficou em minha mente.
Mas, a imagem de uma fada, carreguei-a para sempre...

 
Sofri e sofro ainda, desde o dia em que a levaram ...
E por que te amei, daria tudo para ir junto com você,
Mesmo sabendo de ante mão que era ida sem volta... 
O amor perdura sempre... quando é amor de verdade.E por que te amo... vivo a espera de um novo reencontro...  
Mesmo que seja na eternidade...






 

domingo, 17 de julho de 2016

A Chegada da Primavera

Em Fuga Para Dentro do Meu Ser...



A Chegada da Primavera
 


Estava em meio a um inverno triste e gelado...
Comprei tintas multicores e extratos, com as mais finas
fragrâncias, para provocar uma precoce primavera.
Nada consegui - Não se pode comprar as estações
do tempo e, muito menos, a do amor...


 
Agora soou de vez, a trombeta do Senhor Tempo,
e eu abro então, novamente, as portas do meu peito
para recebê-la, oh! linda dama...


E ela me acena, que virá vestida de gala,
com seu vestido de chita estampado 
e colorido com as matizes mais lindas - 
pergunte aos ipês e às acácias...


E se fará acompanhar dos mais finos e
suaves aromas florais -
  pergunte à dama da noite e às rosas...


 
E eu espero que você não me decepcione, meu bem!
 Por favor... faça parte, também, da comitiva
 que vem trazendo a primavera...


segunda-feira, 4 de julho de 2016

Partida...

Em Fuga para dentro do meu ser...




Partida
 

 
Toda vêiz qui passo nessistrada.
alembro daquele dia, qui ocê
costada no moirão da portêra,
dizia pra mim qui nosso amô tinha morrido 
qui nem o vaso de bêjo, 
qui ôce tinha prantado no dia do nosso noivado...
 
Eu fiquei por horas, ali, em pé,
 cumpretamente estático, 
enquanto ouvia o zumbido das rodas do carro-de-boi, 
qui cum os cocão bem pertado, 
 gimia num lamento dorido, 
levando ôce de vorta pra cidade...
 
Adispois, já num guentano mais de tanta tristeza, 
sentei ali no chão e fiquei a relembrá o tempo...
 em qui eu era filiz...
 
Nunca mais meu rancho cunheceu filicidade...
Nem memo a minha viola, qui sempre foi cumpanhera,
hoje cum suas corda rebentada, não
buli mais cumigo...
 
Toda tarde depois que prendo as vaca, 
pra ordenha da madrugada, 
eu sento no alpendre e meu olhar cumprido
se estende ao longo da estrada...
 
E quando a pueira as veiz se levanta, 
lá nos cunfins, perto dos calipto...
Meus zoio bria e renasce em mim a esperança...
a esperança da sua vorta...
 
Se eu fosse ocê eu vortava depressa...
ôce num sabe quanta lenha ainda tem esse meu amô, 
pra quemá...mas ele só aceita quemá elas, só cum ocê...



 




sexta-feira, 1 de julho de 2016

Eterno Amor

Em fuga para dentro do meu ser

                                    
 
       

Eterno Amor


 
  Quando olho a terra... 
Eu sinto um perfume, o perfume do amor,
  que exala de ti... 


   E em meio ao azul, 
que faz a terra azul, pra mim...  

Eu recebo as vibrações, que de ti emanam...
 
  
   Nesse misto de paixão e oração,
 
ultrapassando a barreira dos mortais ...
  Sinto neste momento seu
    corpo em meus braços...



   E beija-la nessa hora, meu bem,
  é o minimo que posso fazer,  

sentindo o calor do seu corpo macio junto ao meu... 



    
 E em seus sonhos, te deixo a certeza de um retorno,  
toda vez que a saudade apertar...
toda vez que o amor clamar






segunda-feira, 27 de junho de 2016

Amor latente

Em Fuga para Dentro do Meu Ser...



Amor latente

Como posso viver sem deixar meu amor transbordar...
Acaso temos culpa se o traçado de nossas vidas
ou o nosso destino, custaram a se encontrar...
Como posso continuar fingindo à mim
e aos que me rodeiam, que eu tenho
um amor mais profundo...
Um amor que se cala nas profundezas
do meu abismo interior...
A vida foi-nos ingrata?
Porque a razão só agora desperta,
quando já não temos mais tempo para
sermos felizes?
Ah!... meu bem... já te disse isso uma vez
e volto a repetir...
Só nos resta morrer, para em uma outra vida renascer...
E suplicar ao Senhor, para que nela, nossos caminhos
se cruzem, em tempo hábil...


segunda-feira, 20 de junho de 2016

Abro meu peito

Fuga para dentro do meu Ser...





Abro meu peito


Ninguém, de sã consciência, pode me julgar...

Ninguém conhece o tamanho do  meu sentir,

e muito menos viu como a minh'alma sangra,

por ter um dia se doado com amor desmedido...


Ninguem, ou quase ninguém, percebeu-nos...

Passamos por todos e consequentemente, pela vida...

Não fomos ninguém... mas, fomos tudo...

Tudo que nos foi permitido, em nosso mundo...


E o que foi este nosso mundo, senão uma vida dual,

de recipricidade singular e inusitada...

E hoje, totalmente fugidio do convivio humano,

Amargo a solidão oriunda de um amor desfeito...


Desfeito... desfeito pela fatalidade...




quarta-feira, 15 de junho de 2016

À nossa consciência...

Fuga para Dentro do Meu Ser...




À nossa consciência...

Nas brumas de Avalon em que se transformou

 minha consciência, eu te perdi...

Ficastes de dialogar com sua linda alma, 

e pelo silêncio que reina, agora 

posso muito bem advinhar o que ela te disse...


Infelizmente, ela tem razão...

Que podemos esperar deste sonho que não é nosso...?

Que chances teremos de nele sermos felizes...?

Como Sir Galahad, 
continuo buscando meu santo Graal,

 que no qual você se transformou para mim...

Pois sei que nunca, assim como ele, o encontrarei...


É pois, míster, que agora choremos 

enquanto o vinho está nas taças e à nossa frente,

 e guarda-lo na adega do nosso coração,

 como se fosse um vinho vindo das encostas do Dão,

 do que, depois de termos bebido, 

só então constatarmos que ele se transformou em uma bebida acre...



Pois não dependemos só de nós...

 Não quero sofrer... Não quero que venhas a sofrer