Partida
Toda vêiz
qui passo nessistrada.
alembro
daquele dia, qui ocê
costada no
moirão da portêra,
dizia pra
mim qui nosso amô tinha morrido
qui nem o vaso de bêjo,
qui ôce tinha prantado
no dia do
nosso noivado...
Eu fiquei
por horas, ali, em pé,
cumpretamente estático,
enquanto ouvia o zumbido das rodas do carro-de-boi,
qui cum os cocão bem pertado,
gimia num lamento dorido,
levando ôce de vorta pra
cidade...
Adispois, já
num guentano mais de tanta tristeza,
sentei ali no chão e fiquei a relembrá o
tempo...
em qui eu
era filiz...
Nunca mais
meu rancho cunheceu filicidade...
Nem memo a
minha viola, qui sempre foi cumpanhera,
hoje cum
suas corda rebentada, não
buli mais
cumigo...
Toda
tarde depois que prendo as vaca,
pra ordenha da madrugada,
eu sento no alpendre
e meu olhar cumprido
se estende
ao longo da estrada...
E quando a
pueira as veiz se levanta,
lá nos cunfins,
perto dos
calipto...
Meus zoio
bria e renasce em mim a esperança...
a esperança
da sua vorta...
Se eu fosse
ocê eu vortava depressa...
ôce num sabe
quanta lenha ainda tem esse meu amô,
pra quemá...mas ele só
aceita quemá elas, só cum ocê...



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