segunda-feira, 4 de julho de 2016

Partida...

Em Fuga para dentro do meu ser...




Partida
 

 
Toda vêiz qui passo nessistrada.
alembro daquele dia, qui ocê
costada no moirão da portêra,
dizia pra mim qui nosso amô tinha morrido 
qui nem o vaso de bêjo, 
qui ôce tinha prantado no dia do nosso noivado...
 
Eu fiquei por horas, ali, em pé,
 cumpretamente estático, 
enquanto ouvia o zumbido das rodas do carro-de-boi, 
qui cum os cocão bem pertado, 
 gimia num lamento dorido, 
levando ôce de vorta pra cidade...
 
Adispois, já num guentano mais de tanta tristeza, 
sentei ali no chão e fiquei a relembrá o tempo...
 em qui eu era filiz...
 
Nunca mais meu rancho cunheceu filicidade...
Nem memo a minha viola, qui sempre foi cumpanhera,
hoje cum suas corda rebentada, não
buli mais cumigo...
 
Toda tarde depois que prendo as vaca, 
pra ordenha da madrugada, 
eu sento no alpendre e meu olhar cumprido
se estende ao longo da estrada...
 
E quando a pueira as veiz se levanta, 
lá nos cunfins, perto dos calipto...
Meus zoio bria e renasce em mim a esperança...
a esperança da sua vorta...
 
Se eu fosse ocê eu vortava depressa...
ôce num sabe quanta lenha ainda tem esse meu amô, 
pra quemá...mas ele só aceita quemá elas, só cum ocê...



 




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